terça-feira, 10 de maio de 2016

A verdade com prazo de validade



Porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:5)

A grande dificuldade para reduzirmos nossas incertezas advém da falta de um modelo - verdade - a seguir. Algo que comprovadamente aferido e confiável transcenda o tempo, garantindo-nos o “melhor” nas nossas escolhas, dando-nos esperança.

A falta desse modelo é característica marcante de nosso contexto. Não pela ausência de modelos, pelo contrário, há infinitos modelos, contudo quando submetidos a avaliação ao longo do tempo, mostram-se falhos, pois estão prontos a serem substituídos. E esses postos à disposição constroem os valores mentais e fundamentam as escolhas da vida humana.

Multiplicam-se a cada momento, substituindo aqueles que até então mostravam-se verdadeiros. Evidencia que o existente está apenas à espera de substituição. Um “novo” modelo, lançando fora o que ousava ser verdadeiro.

Claro fica que o disponível – verdades – está caduco, levando sempre ao engano, às ilusões. 

Esse frenesi de verdade hoje e mentira amanhã bombardeia as mentes garantindo a incerteza e o absurdo como provisão. Assim, a espera do amanhã, do próximo modelo alimenta a vida de pandora. Tomemos como exemplo nosso derredor, em que a ausência do modelo além do tempo faz com que o insano seja corriqueiro: meninos vitalícios, velhos noviços, bandidos milionários, trapaceiros honrados, legisladores criminosos e miseráveis refinados. Os modelos do engano romperam os limites do possível, banindo a coerência, onde todos se autorizam a acreditar em tudo ou em nada – que, nesse contexto, são a mesma coisa. 

A falta de esperança destruiu o futuro, e o prazer legitimou-se como meio e fim da existência– acreditam buscar a felicidade.  Nada é permanente, nada é satisfatório. A estupidez distribuiu sabedoria e a verdade foi substituída pelo experimento... e tudo se fez novo! O novo amor, a nova moral, a nova família, o novo conhecimento, a nova verdade.

Sutilmente, foi introduzida a morte que substancia a “nova vida”: tudo que há está prestes a morrer, a ser substituído pelo seu outro. A dinâmica do novo garante a morte entranhada na “vida”. 

Divertem-se, brindam a “nova vida” - a morte - todos os dias. 

A escravidão da novidade contaminou a percepção humana para não ver que a morte destruiu a própria vida. 

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